Bloodstream, 1985.

Michael J. Murphy.

"Seja voando ou flutuando, o espaço está implícito porque o elemento água foi antigamente identificado com o espaço, como testemunhado por expressões como o 'oceano do espaço'. - Grant.



A conceituação é esse processo de forçar que algo seja contemplado através da destruição, ou o que os mais modernos chamam de mutação. As diferenças nesses termos é também uma conceituação, enquanto a primeira passa pelo niilismo para se positivar outra coisa, a segunda é reformística, possui a transição como mote. De onde falo, 2023, a destruição é mal vista, tem a ciência como sua oposição, positivamente: parte de como as coisas poderiam se dar se não houvesse a matéria, a empiria a ser trabalhada, uma hipótese antes de tudo. Como construir teoria assim, com uma visão materialista e estrutural da realidade, onde a transformação, ou transmutação para fazer um correlato com antigos místicos, só se da na continuidade, na horizontalidade e daí puxando o filme em questão como exemplo, como a montagem é esse buraco de minhoca, da sintaxe formando tuneis capazes de nos entregar a outros tipos de e(E)stados. A política conforme esse desembocar de energias chega e alimenta um lago artificial de narcisismo, de senso comum, pelo que preza a superfície. O holismo esotérico, portanto, estará a serviço desse jogo, porem por fora da obra; a sensação que fica, é terceirização do trabalho do filme, como quase todos os diretos pro vídeo emanam, o que resta ali de original, de algo construído realmente pelo artista que a concebeu e não por forças completamente externas a ele? Se adentramos nesses tuneis formados pela diegese em profusão somos jogados dentro de outro filme, não porque o cineasta assim o quis, mas pela cinética contida nessa projeção. Quero dizer que, se o holismo não se encaixa nessa analise por possibilidade centrifugas e até centrípetas, ciclicamente falando, o horizonte se faz sempre distante e potencial a ser colonizado pela consciência. É terreno infindável e endividavel para o plantio, húmus e humores hermafroditas presente entre nos. A especulação se faz máxima e amiga, onde a matéria se exauri pelo niilismo recalcado e o seu paralelo suprasumir. Terreno fértil também e principalmente para o ocultismo, para exoterica neoacadêmica, de bruxos que não estão para a sociedade, mas dentro de bolsas de valores também especulando a sorte da matéria, de como se dará sua mais nova mutação. O individuo em disputa está em processo de fendir-se e se tornar outra coisa além do húmus, do substrato do deus-morto. A memória se faz mais presente do que a sintaxe a qual está em extrema evidência, pois requer do sujeito em disputa uma noção maior de história e narrativa para que não caia em historicismo intuitivo e seja apanhado pelo karma artificial fundado na cultura. Interessante voltarmos a questão das paralelas, como o holismo e o horizontalismo aqui citado, e do recalque mais o suprassumir utilizado também em outras análises, enfim, são duas forças que nunca se encontram, pois estão diametralmente lado a lado, diferindo assim da oposição onde se chocam, uma estimula a outra a continuar também refletindo-se mutuamente, numa predação frigida, do artista buscando vingança e revolução, enquanto sua produtora/amante querendo estrelato, misticismo populista. A câmera que está contida na obra nunca filma a que esta Realmente montando, mas engolida e transformada em persona é levada a fraqueza e ao paralelismo da reflexão mutante-mutualista, uma forma de predação não reconhecida pelo desgaste da memória em práticas histriônicas de historicismo.


Referencias

Exterior entradas. Keneth Grant.

Reavaliação e rememoração dos conceitos da mecânica geral com análises geométricas e/ou gráficas: linha de ação de uma força. Parte I. Paulo Barbieri.

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