You can count on me, 2000.
Kenneth Lonergan.
"O status de espécie é propriedade de populações, não de indivíduos. Uma população não perde seu status de espécie quando, ocasionalmente, um individuo que dela faz parte comete um erro e hibridiza com outra espécie." - Mayr.
"O corpo é separado entre as partes nobres (a cabeça, o coração) e ignóbeis (o ventre, as mãos, o sexo). Ele dispõe de filtros que podem servir para distinguir o bem do mal: olhos, orelhas e boca." - Corbin et al.
A saúde é a própria normatividade, a justa medida aristotélica, ou do maçônico inglês na dualidade enraizada whealth e health. Isso carrega junto todo o fenótipo mendeliano, aquilo que aparece aos sentidos e pode ser comprovada mais facilmente. A substância consolidada pelo estagirita. Como pedir ao ordinário, ao que esta alinhado ao senso comum, ética? Reflexão sobre os eventos, e como todo evento é sempre uma causa portanto moralidade; como esse ser em existência positivada questiona? Se não a busca pelo outro para direciona-lo a algum ponto, dá-lo sentido, mesmo esse outro não pertencendo a si mesmo, mas a esse senso des-comunal? Um eterno processo de terapia conservadora. O materialismo histórico não é uma teoria geral sobre o progresso, mas uma espiral num certo espaço-tempo, nos dando a diferença entre o esquematismo e o dogmatismo, sendo o primeiro uma corrente que ordena toda a esfera dos espectros rodeando o totem do poder politico, e sendo a segunda dogmática o reflexo dessa espiral que irá de encontro com a comunidade platônica. O gnosticismo seria esse ponto em comum em todas as nossas multiplicidades e diferenças, a potência religiosa de criar deuses, formar sociedades. Se não é de interesse do diretor aqui uma análise mais minuciosa dos problemas daquela sociedade, mas a construção cênica do drama, então fica ao nosso encargo interpreta-la. A arte se mostrando reacionária, e aqui sem a extravagância lynchiana, mas com um realismo mais cru. A cidade pacata entre as montanhas esta ali, a rede de intrigas está dada e já revelada, mas a entidade que as maquina não cabe muito a Lonergan, mas sim como esses personagens reagirão à moral, como dito a causa e não motor nos importa nessa obra. Não é desejoso assim pensar em imaginário, mas a vida como ela é, não há espaço ao horror, mas a graça mesmo nas desgraças, comedia de costumes, de um lado obscuro das forças costumeiro, de uma vida que não pode ser outra, porem mais a citadina e suicida que não pertence aquela redoma, mas a arquitetura marceneira de um povo pacato ao sabor das deliberações afetuosas de um chefe querido, a construir seu feudo. A diferença só poderá estar no fenótipo, diante desses nossos sentidos, sem a cogitação de um sexto que posa modificar nossa carne. O personagem do Rufalo virá assim como o gênio a dar o esclarecimento a esse ambiente, por mais perdido que ele também esteja, é recebido ao som de Bach enquanto adentra a cidade e reconhecido pelo xerife local. Percebendo as relações superficiais entre a irma e o filho resta-lhe conduzir a genialidade a horizontalidade dando a cogitação de uma esperança, de uma diferença, mas que é recebido como afronta a vida medida, afinal não fica claro quem é o pai ali daquele órfão com seus oito anos, pode ser qualquer um da cidade, ou o marginal mais próximo, claro fenotipicamente comprovado pela senciência. O contracenar só poderá se dar no foque e desfoque das lentes, no que é amorfo, mas que poderá num simples movimento deixar de ser, para ser empiricamente referenciado e alvo de positividade, como uma massa de manobra. A intuição de que irá surgir com o genioso e que vem para afrontar esse lugar, e o que mostrará também os limites traçados pelas placas e lapides, do cemitério sendo emoldurado pela floresta, uma clareira na densidade do verde, da natureza tão próxima, apesar da lógica que recai e mercantilizará esse novo tipo de ser social que podia ter ido ao Vietnã, os i-números possíveis pais e as falsas jornadas duplas da mãe, refletindo a grande cidade na pequena e revelando-selecionando naturalmente quem é mais forte para sustentar o olhar de mil pirocas. É um filme bastante cínico e ruminante desse jeito, dessa forma de f minúsculo, de trejeitos tentando melhor cogitar indiferentemente a lonjuras de quem esta a assistir.
Referências
Aproximação entre biologia, biopolitica e bioarte: um ensaio sobre a biocontemporaneidade. - Luciana Nogueira.
O corpo no ocidente medieval. - Diogo Roiz.
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