The Shanghai gesture, 1941.
Josef von Sternberg.
"É preciso chegar ao avesso da letra. A palavra não passa de uma cortina através da qual tentamos delinear a silhueta do real. Ler através: é o que nos pede a poesia de Rilke, e não a leitura rigorosa – “ao pé da letra” – feita pelos especialistas. Não ao pé, mas frente a frente: este é o desafio que ele nos propõe." - Castello.
"Com efeito, a raça representava a região selvagem do humanismo europeu, o seu Animal. Por conseguinte, a crítica pós-colonial tenta desarticular a ossamenta do Animal, desemboscar as suas moradas privilegiadas. Mais radicalmente, interroga-se: como se vive sob a égide do Animal? De que tipo de vida se trata e de que tipo de morte se padece? [...]. Ainda mais grave, a figura da Europa que a colônia (e, antes dela, a “plantação” sob o regime da escravatura) vivencia e com a qual se vai familiarizando gradualmente, em nada se assemelha à da liberdade, igualdade e fraternidade. Sob a máscara do humanismo e do universalismo, os colonizados não desvendam apenas um sujeito frequentemente surdo e cego. [...]. Por fim, é um sujeito para o qual a riqueza é, sobretudo, um instrumento de exercício do direito de vida e de morte sobre os outros, como se evocará adiante” - Mbembe.
A dualidade que produz o conflito, e nunca a unidade, e o uniforme. É dos gestos a que nos remetemos ao tentar confiscar essa ideia de retardo nos processos revolucionários com sempre o intuito de se buscar o salto de fé. A armadilha traçada com esse movimento, da esperteza de jogar o jogo da normalidade, sempre fará com que resvale em algo que não deveria ser resvalado. Sempre desponta algo dessas disputas, como um movimento geológico que formam montanhas e depressões na matéria. É de saber que o filho, as filiações em geral, conforme esse movimento religioso avança acaba ficando a revelia desse processo que é sempre mais um retrocesso em conservação que se repete do que um progresso. Os gestos não são verdadeiros, mas construídos por essa cultura do dissabor e da sofística primeira. A câmera esta ali como o trem, a maquina que nos atropela e exorciza nossos corpos, afim de mercantilizá-los. A economia como um deus, e nós como suas cobaias na jogatina, o que podemos tirar disso é só espectralidade, e imitação de espirito. A síntese se torna assim sempre o meio-termo a ser combatido, polido para que não se transforme em diferença extrema. O que fica retido no sujeito é então elevado a máxima potência nessa disputa com o outro, o transformismo da mãe retifica esse jogo de tentativa de extremismo. Tentativa porque ainda busca por confronto direto e didático, e não por saídas tangências. Portanto, é importante, por mais que se ache o contrário, estudar o plano, os seus eixos e cartografias. Enquanto a câmera avança em direção violenta ao rosto da filha que observa o casino, faz com que nos remeta essa força religiosa de expulsão do sobressalente, aquele que percebeu onde se encaixa naquele esquema todo. Produzir uma dialética própria, reafirma a vida dupla no intuito de produzir outro imaginário. A arte retoma seu lugar de revolução, mas que ainda pode resguardar a conservação se mal assistida. Como dito, o didatismo que acompanha o duelo final parece tao rarefeito que toda a mise en scene virá esse carrossel de quem ainda não esta presente, e como observadora se torna peça chave pro embate final, do galã que não serve a nada, se e somente se, suporte apaziguador da gravidade, das mulheres enjauladas que sobem diante dos convidados como um espetáculo incomum e indiferente, servindo como mero aprendizado para se buscar novamente a conservação e nunca a diferença. Só resta ao cinema ser afeito assim aos detalhes, da mão que agarra a batina depois do corpo pesar mais-que-tudo. Da particularidade antes da universalidade, do guarda de trânsito, onde não há trânsito, mas caos, automaticamente é subordinado ao mais forte. Arte que não é subordinada a unidade, apesar de coordenada a ela, mas ao múltiplo, ao popular, a propaganda. A síntese é sempre jornalística e voltada somente ao que é comum? Ou seja, ao progressismo de inexistente economia?
Referencias
A critica e campo do jornalismo, ruptura e continuidade - Mauro Ventura.
Colonização e descolonização: fundamentos da dominação Ocidental e perspectivas de transformação - Guilherme de Godoy.
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