3x Skolimowski
Além de um silogismo & neologismo, contudo uma filologia para traçar uma história mais verdadeira e menos factual, mais arte e menos ciência. Não renegando a conceitografia, da filosofia se descobrindo na linguagem no século XX, e consequentemente a própria poesia, deixando de ser meio-termo entre inteligível e o sensível. Base para entender a reação e o misticismo no espirito romântico-cientifico que direcionará aquele século, para assim se utilizar do pessimístico símbolo das artes para Ver o mundo. Jerzy é importante a meu ver para descobrirmos melhor essas tramoias do inconsciente ao ser tecnologizado pela linguagem, e para o soerguimento de novas bureaucracias, os problemas da superação progressista.
"A base de todas essas formas é reduzida a esses dois princípios sobre a natureza do conjunto e do conteúdo,
I. O que quer que esteja no conteúdo também está no conjunto; &
II. O que estiver fora do conjunto também está fora do conteúdo." - Euler.
“Uma proposição isolada pode fazer implicações positivas sem qualquer prejuízo, mas se ela é combinada com um número de outras proposições ela precisa abandonar tais implicações, pois elas vão possivelmente levar a conflito mutuo direto. Por outro lado, se ela se restringe à implicação negativa, ela fara uma contribuição à rede de conhecimento fornecida pelas outras proposições, que abandona qualquer coisa próxima a uma direta contradição em termos.” - Venn.
"(...) os conteúdos de dois juízos podem ser diferentes de maneira dupla: primeiramente, se as consequências, que se podem tirar de um deles quando concatenados com certos outros, também podem sempre ser tiradas do segundo quando concatenados com esses mesmos outros juízos; em segundo lugar, se esse não for o caso (Conceitografia, § 3)." - Frege.
Rysopis, 1964.
A Forma para a filosofia vem de Platão, quer dizer a dimensão suprassensível, enquanto ao senso comum e denotativo seria a própria matéria? Nunca entendi muito bem esse conceito, talvez por ser mais platônico do que aristotélico, afinal a forma é a substancia, o contorno e a superfície da matéria, a sua camada ulterior segundo Aristóteles, ou o que veio a ser durante a tradição estética, mas que nem sempre representará seu conteúdo. Aqui em Skolimowski, a forma nos remete a essa ultima camada que emana a energia e das vontades daqueles corpos que perambulam a cidade em plena guerra fria, e que de vez em quando assumirão o guião da câmera, simulando seu ponto de vista. A música entoada pelos jovens que não temos futuro ecoará no fim, no limite desse plano que oras é subjetivo e humorístico, oras é formalista e conceitual, deliberando toda a experimentação no cinema adjunto aos novos aparatos, duma arte que já estava popularizada, mas que ainda precisava adentrar entre camadas mais baixas, onde a câmera agora infiltra com mais facilidade, mesmo em locais escuros, ou ainda em preto e branco. O trem e o progresso assumem a montagem, o subjetivo é disruptivo, não há vaga de emprego para quem é qualificado, as aulas precisarão ser dadas em espaços públicos, não como um retorno as agoras num silogismo e neologismo, e as delimitações do tempo e a produção de diferenças, mas de neo academias, de casas de arte que se moldarão a esse novo humano, sedento por relações por mais fugazes que sejam. Presenteado pelos franceses em sua constante bela époque, a câmera que se torna diminuta agora esta mais próxima a ciência, ao ser senciente de que não haverá futuro ao menos que venhamos a realizar esse trabalho ao qual me qualifiquei, na Era de peixes para a de aguario, e por mais rígida que for sua formação (na França para Jerzy, ou apenas no simbolismo dela mesmo?) mais se tornará palpável ao outro, o todo agora se alcança pelo mínimo, pela especificidade de um veterinário que sabe muito bem o que o cachorro tem, mesmo sem toca-lo. A raiva se instaura nos hábitos, o sol nascera amanha, o ciclo se repete, o trem passara na hora marcada, basta nós deseja-lo. A contaminação, como força minará os espíritos, o desejo vem assim dessas emanações da superfície, do Tempo que não é capaz de apanha-la, mas o tempo sim; traço-o antes e depois o percalço para que esse tempo-movimento na de ré, voltas que o tornarão menos-valioso. A valoração se contem assim pelo que é estreito e afrente das testas, do enfrentamento, não como poder, mas potencia, desse movimento em constância, e da produção de suas reações místicas. O subjetivo-câmera esta em nossas mãos, mas ao meso tempo que conserva essas imagens em cópias, produz material para memória, e assim para trabalho e sustento de mercadorias que farão com que mesmo que a frigidez acabe, todos os mantimentos perdurem, e os corpos mesmo que tratados como obsoletos possam ser carregados a um funeral maul ou Bem. É tudo pela potência do conceito que nunca se realiza, e que fará pela busca do poder, sua melhor condição, relações terceirizadas pelo terrorismo de um fim eminente, mas que nunca chega. Não há emprego, mesmo que qualidade em série seja produzida e a contradição possa ser mercantilizada. A ordem dos planos irá continuar importando, mesmo que eles próprios não se importem com a narrativa, e criem por subterfúgios e poesia demasiada, uma certa embriaguez que fará com que nos torne menos beatos e mais templários, para logo mais afrente assimilarmos de vez a propaganda e consolidarmos o prefixo neo em sequenciais conclusões sobre o nada que se repete, e da heurística mais computacional do que histórica entre a forma e o conteúdo.
Moonlighting, 1982.
A imagem refratada na tela da tv, convexa e formando um duplo contracampo com a fotografia da amada. Aqui como um still, uma fotografia da imagem que esta rolando, e uma fotografia não tirada por um terceiro termo, por uma câmera, mas pelo print screen de uma outra tela. Divido a reflexão da refração. Do ponto vernal que intercede o plano equatorial celeste com o plano eclíptico, só possível na e da Terra. Arianos que tem como inconsciente a Libra exaltada em capricorno. A burocracia como um estado de ser, e o esquerdismo como um Estado de não-ser. A bolha criada pelo oportunismo e a expertise de quem entende que o dinheiro é uma dimensão metafisica, o que coordena e subordina como uma sintaxe, uma poieses, os corpos talvez de quem ainda não entendeu a miséria da filosofia. Sendo assim o movimento é autômato, cartesiano como muito bem recalcado foi os holandeses, novos mitólogos do mercantilismo, do barato que sai caro, da obsolescência programada. Tratar o outro como mero objeto a ser descartado, e o outro aqui mesmo como organicidade, é, portanto, um filme de horror antes de tudo. Filme mais difícil do skolimowski de se acompanhar pela sua secura, da aridez londrina, de adúlteros poloneses e “comunistas” que especulam em inglês. Especulam em plural por conta desse ponto vernal, da exaltação joanina de quem foi se encontrar com os anjos na caverna. Ponto bem representado no plano acima onde se conflui inúmeros cartesianismos desejos, inúmeras logicas sobre a intuição que simulam racionalidade, sublinhadas pela narração em off do jeremias, do pastor subindo a colina silenciosa. O tempo é então de tamanha importância para jerzy, que irá com suas lentes mais globalistas e contraditoriamente formalista rearranjar esses espectros que assolam o mundo como no epitáfio marxiano e não marxista; o que mais ele combateu foi seu lugar na filosofia, antes de ser apadrinhado pelos economistas e historiadores, afinal buchas de canhão para o liberalismo. O tempo como um lugar antes do espaço conforme a logica aristotélica do ato antes da potência, da galinha que vem antes do ovo matando qualquer charada e paradoxo, palavra já fadada ao esquecimento, à memória. O jogo mnemônico vem nesse meio tempo (meio-termo, meio-tempo?) para nos galgar na psicanálise do fogo, do nitcheanismo sendo usado para cafetinagem e insumo sacerdote, nos dando grande percepção sobre o nada, e pouca senciência sobre o Todo. Como fugir das garras das lojas americanas? Do relógio de pulso que não faz mais tic tac, onomatopeias que como mantras fendem o obscuro inconsciente e nos torna eremitas devirgem; não se escapa do desejo? Do anti como ponto diametralmente oposto de uma revolução que já aconteceu ou esta prestes a acontecer. e desse prefixo antitético, digo, como uma proposta pre nietzscheana, antes da poesia ter descido para matéria. Portanto um retorno ao tético, ao fenômeno da imagem refratada nesse espelho que não tem como objetividade aristotélica ser espelho a priori, mas uma parapsicologia, de traçar a horizontalidade do fogo, de dar senso comum a Narciso e fazê-lo citadino e nunca beato, desmistifica-lo da tulipa, da maestria elétrica, de quem não pertence a lugar algum, não ao intersubjetivo, ou ao subjetivo, mas navega entre os planos após levar o soco na boca do estomago de seus “camaradas” no momento da desvelação, de Judas como se e somente se único cristo, dos créditos subindo, da secura de mais um deserto a ser atravessado tele-paticamente.
EO, 2022.
Suprasumir o ponto de vista requer uma prática de conceituação. Não que deixaremos de ser no movimento negativo e do movimento de refração do espirito, ao soltar-se da dualidade do devir, esse ciclo entre as duas forças opostas que forma o Uno, morada dos espectros. A dimensão da natureza amoral e da produção de uma sintaxe que irá abarcar esse movimento sobre o eterno retorno, e aqui eterno retorno do mesmo, das mercadorias sendo o socialismo, o que nos torna comum e assim seres relacionáveis. Os pedaços que ficam nesse percalço, de filmes que começam já em seu meio e terminam sempre de forma abrupta, como aquele soco no estômago dado pelo camarada abrindo os créditos finais. Muito se fala de Bresson aqui, dentre outros como o mestre reificador Caspar Noel, mas pouco se fala em “A Besta” de Walerian, da vida como o singular sendo suprasumido e automatizando a realidade, agora e sempre fílmica. Cavalos que servem para a reprodução, burros que servem para terapia com deficientes, ou apenas para deslocar pesadas cargas, do trabalho como um fardo e apartado da sociedade. A mão que acaricia as crinas são suaves e não podem com esses espectros que invadem o ciclo do mundo, que por meio de protestos afasta os seres, e não por uma organização a priori que a salve, mas para jogar a vida na anarquia reforçando as lojas e suas mitomanias. A singularidade, vinda do individualismo que poderá fazer com que esse corpo se torne então renovado e em potência galgue adjunto ao espirito, e a produção de valores que as mãos não podem mais dar, mas que agora como cascos vingam em busca doutras dimensões. Do ser quimérico e não trans, pois consciente de que é a linguagem que o transforma e não somente a ciência, a farmácia, ou a cirurgiã, mas a poesia que como uma forma de passe, o põem de encontro com esse uno, com o lobo que deixa de ser predador para se tornar presa, ganhar a noção do Todo. O tempo representado por esses cortes mais rústicos e diretos nos revela essa vontade em Jerzy de construir pontes entre o ser e o não-ser, de filmes dentro de outros filmes, que nos deixem cientes de toda uma hereditariedade e hierarquia que reina de alguma forma, de algum espaço nem que seja formado por um elemento ainda desconhecido, e que a Presença esta nesse momento do corte, da ruptura para a abertura critica. A vontade precisa assim ser canalizada para esse momento, da montagem como difusora do tempo, da substância que começa a deixar de ser ínterim, tomando ciência do negativo, da forma em que está contida e que a poderá como um novo ser conter-se. Sendo nesse sentido o ser é sempre contido por uma nova e abstrata forma do não-ser, de um útero que possui uma geometria ainda não sabida, e que aos poucos vai se fazendo consciente, mas que a qualquer momento possa ser expelido para cair em outro movimento do que chamaremos sem medo do Não-ser. Entidade que agora precisará ser constituída por uma filosofia, uma teologia e que de forma (aqui também sem o temor), imperialista passe a ser metafisica. O que contem sempre esta contido e que por ferramenta de união, aqui o espaço recortado pelo plano, constrói logaritmos que de forma extraordinária como um milagre faz com que o conteúdo se torne senciente e se julgue como o contêiner de outro ser enquanto é substancia dum Outro, não num movimento dialético e tripartidário, ou em espiral, mas de diversos conjuntos provocando essa união, uma metástase, uma nova doença inclassificável de um gênero deveras trans que anticientífico.
Referências.
Aspectos da lógica de Leonhard Euler. - John Fossa.
Conhecimento Simbolico em John Venn - Bruno Mendonça.
O artigo "sobre o sentido e a referencia" de Frege. - Sérgio Miranda

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