Pather Panchali, 1955.

Satyajit Ray.

 
"O signo, soma, sema, etc. Só se pode, verdadeiramente, dominar o signo, segui-lo como um balão no ar, com certeza de reavê-lo, depois de entender completamente a sua natureza, natureza dupla que não consiste nem no envoltório e também não no espírito, no ar hidrogênio que insufla e que nada valeria sem o envoltório. O balão é o sema e o envoltório o soma, mas isso está longe da concepção que diz que o envoltório é o signo, e o hidrogênio a significação, sendo que o balão, por sua vez, nada é. Ele é tudo para o aerosteiro, assim como o sema é tudo para o linguista." - Saussurre.

"O resultado foi, após intensíssimas lutas populares, o encapsulamento de novas formas de  organização e de lutas  revolucionárias  que  as  manifestações de 1968 poderiam comportar. Tais lutas não foram apenas contidas, como num dique, mas redirecionadas, ora  paciente, ora  violentamente,  para vertedouros onde “excessos” democratizantes populares pudessem desaguar.  [...] O salto na internacionalização do capital, característico do capital imperialismo geraria descontentamentos populares sem canais organizados de expressão internacional." - Fontes.

A construção das forças é demonstrável pelo reconhecimento do terreno, dos dispositivos ao redor, a propulsões e os combustíveis fornecido pelos significantes. A superfície é a essencial primeira, as aparências que trazem a simbologia, a infância como esse processo. Um lugar de extrema observação, contemplação e espirito. Onde a noção de mercadoria como movimento de troca, de fornecimento de bens, e virtudes, a espiral platônica que fornece esse senso comum, a intersubjetividade que nos trancafia como grupo, e seres sociais, animais políticos. A matéria é, portanto a substância, o trabalho a ser realizado com a morte, em eterna barganha, o mundo ainda é inexistente, o universo se resume a vila, a família, ao átomo de uma democracia, sempre demagógica, ou o rompimento de Marx, ao constatar a potência como um problema e o ato como a objetividade somente na ciência, levando-nos ao problema do automatismo mais uma vez. A filosofia é essa conversa, uma troca desenfreada e uma pirataria que carrega toda a sorte de espectros em algum sentido. A memória precisa ser regurgitada, uma vez que na mistura com a matéria e o terreno da substância se torne um lamaçal nos impedindo do ato e nos lotando com potência. O cinema é esse lodo onde se encontram todas as artes, incluo aqui a filosofia como arte, e no primeiro momento em que ela sobressai esse lodo da intersubjetividade e nos dê a singularidade. É uma mistura que se assemelhará ao inconsciente e a agora ao poder exercido pela potência, os arquétipos que forma toda uma cultura e esta tanto antes de nos como seres consciente, como depois de nós como psyche e imutabilidade, de um reencontro com Deus. Não que esteja sendo religioso categoricamente, mas a vida em si, da ciência de ter o ciclo como forma e castidade homogênea, morremos e voltamos à terra como se de la nunca tivéssemos saído, o Karma sem a polícia. É o filme que trará os olhos do mundo sobre o cinema indiano no sentido em que esse micro universo da criança ressoa in-comum a todos. Porem principalmente a curiosidade que trazemos dessa terra ao qual nos erguemos, e por mesquinhez queremos nos tornar senhor dela, da divisão do trabalho entrando como uma doença no seio desse espaço atômico, causando a reação que já sabemos: "Esta ouvindo o trem?" é o principal mito moderno. Quando a tradição é criticada dessa forma pela vontade somente em ato das matizes que formam o Estado em nós, encontramos seja aqui de onde falo, e do século XXI, seja lá na Índia do passado, se torna algo contraproducente e contraditório, como se todo o mal estivesse arraigado na própria terra a qual nos levantamos e mortos-vivos perambularemos, o que é feito a uma vontade in-potencial de uma reafirmação do ato em constante atrito. Quanto mais densa é essa matéria, mais obscura se torna, precisando ser afirmada como escape, por isso é um filme que destoará de "mother india" nesse caso, a mãe como antirevolucionaria por ser extremante patriota, silenciando o filho inquieto e com vontade espirituais. Nesse filme do Ray a criança esta tão misturada ao sabor daquela terra que não há conflito a ser traçado, esta tão imbuída que o tempo só passa como uma grandiosa elipse; reconstruindo e porque não destruindo o espaço? degradando-o corriqueiramente, nas cantigas aterrorizantes da tia-avó, no próprio p&b que ressoa sua senhoria maestria na superfície fílmica. A fraqueza de presença do pai esta em suas vontades intelectuais, mesmo que o diretor não direcione isso nessa obra em questão, mas é nesse medo pelo fantasma ao qual já estão habituados que os carregam com esse peso da velhice, da família sendo ocidentalizada a passos curtos, no surrupiar das frutas do vizinho, ao mito do trem. Portanto existe um grande espaço a ser engolido pelo ser, um extenso pasto, talvez interminável que faça essa subjetividade permanecer ali mesmo que o mundo desabe. Não é o ocorrido aqui por conta desse pai que se mostra conhecedor do nada, (shyamalan?) a migração precisa ser feita, contudo a tradição foi resolvida? Pelo menos questionada? Não se torna necromante da noite pro dia, mas talvez na sequencia e na continuação da historia como linha reta progressista e a ser balizada e concatenada com o fim afilhado por ela mesma.

Referencias.

A relação significante e significado em Saussure. - Raquel da Cunha.

A decadência ideológica do pensamento burguês: o caminho pós-moderno. - Simone Valentini.

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