Naan Kadavul, 2009.

Bala.

"Os gregos antigos diziam francamente que Pitágoras foi à Índia. Porém, como as afirmações foram feitas por escritores neopitagóricos e neoplatônicos posteriores a Apolônio, objeta-se que as viagens deste ultimo sugeriam não só este item na biografia do grande filósofo de Samos, mas diversos outros, ou mesmo que o próprio Apolônio, em sua biografia de Pitágoras, tenha sido o pai do rumor. A íntima semelhança, no entanto, entre muitos aspectos da disciplina e doutrina pitagóricas e do pensamento e pratica indo-arianas fazem-nos hesitar em rejeitar inteiramente a possibilidade de que Pitágoras tenha visitado a antiga Ariavarta." - Mead.


"A  mimese é a representação através do distanciamento, a subversão da consciência. A experiência é intensificada até o ponto de ruptura (...) a intensificação da percepção pode ir ao ponto de distorcer as coisas de modo que o indizível é dito, o invisível se torna visível e o insuportável  explode.  Assim, a transformação estética transforma-se em denúncia–mas também em celebração do que resiste à injustiça e ao terror, e do que ainda se pode salva." - Marcuse.


Um dos problemas da imanência é a relação que estabelece entre os pares, da proximidade que a substância tem com a primeira superfície que a acolhe. Explicitando essa ideia, das camadas, quanto mais profundas ou microscópica a substância for, necessária será outras cascas que a protejam, e consequentemente e primeiramente novas estéticas a serem pensadas e espiritualizadas. É um filme que trabalha nessa região da proximidade entre a substância e a superfície que a acolhe, não há profundidade, e espaço para desenvolvimento de personagens, mas o tempo a ser vagarosamente retardado como uma bomba relógio, a qual distorce e distende o próprio espaço. Relações extremamente maniqueístas prestes a explodir, mas que vão se alongando, com repetições para que não haja conscientemente uma quebra de expectativa, mas o destino se cumprindo em seu comprimento. Portanto, se confunde a diferença com essa mutabilidade desenfreada das superfícies, não há ideia de humanidade a princípio, mas classes sociais se digladiando por esse espaço em recolhimento e alongamento, do plano que inverte quando o deus se expõem, ou quando a câmera assume contraditoriamente seu ponto de vista meridianamente em suas miríades. Não a toa o personagem principal some da tela muitas vezes, pois esta presente nesse destino traçado desde o início da projeção. O transe que assume o espaço é assim o que nos da o sinal de conforto da narrativa, no sentido do sentido, do que traça e pode ser observado, dos deficientes obsoletos no porão de um antigo templo servindo a máfia, nos entregando o idealismo por trás da obra, do patriarcado em seu estado sublime operando naturalmente, calcando as relações e nos pondo em nosso devido lugar de autômatos. O próprio turismo que carrega toda a índia a começar pelo Ganges e o musical que não adentra aqui como gênero, mas é relegado ao êxtase em conjunto a esoteria do plano que não se importa com nosso divertimento, mas o desgaste que a narrativa em repetição das situações nos leva, da mãe que ainda insiste com seu filho negligenciado e tirado de si por forças maiores, e a calcificação de seu ser como uma entidade que emana esse êxtase o qual atravessa a montagem como um todo perfurando os planos, transformando o filme num grande adorno. Essa peça contraditória que é resolvida, no que poderíamos chamar de clímax do filme, desse campo e contracampo entre a revolução e a conciliação. Entre o estridente e incancelável choro da desgraçada, com a frieza do Abraxas, do canal que ainda é potencia romantizando toda a sorte de doenças, que espera o seu tempo para atuar destituindo demiurgos. A consolidação dessa relação entre o amago e a camada que desponta às observações, onde a fraqueza não tem vez, é a própria coragem ariana e helenística, ao passo que ainda somos ceifados pela pirataria platônica, cinemática oxóssi.


Referencias

Os gregos e a Índia: Os gimnosofistas e sua influencia sobre a filosofia grega. - Francisco da Silva.

Da estética shopenhauriana à dimensão estética de Marcuse: Diferentes possibilidades para reflexões sobre a autonomia da arte. - Heiberle Horacio.

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