Limite, 1931.

Mario Peixoto

 
"a linguagem adâmica pressupõe conhecimento, visto que a natureza das palavras é a própria natureza das coisas e, logo, conhecer as palavras é apreender a essência da realidade, ao passo que a ilusão da serpente é um meio de substituir o conhecimento pela ignorância. Esta, afinal, torna baça a transparência ideal da linguagem perdida, pois faz com que algo sempre seja mal conhecido ou desconhecido, indícios permanentes, portanto, da ignorância na relação entre o ser humano e a sua própria realidade." - Ramalho

"e à própria tribo ou raça humana, pois os sentidos do homem são falsamente asseverados com o padrão das coisas, pelo contrario, todas as percepções tanto dos sentidos quanto da mente tem referencia ao homem mas não ao universo, e a mente humana se assemelha aqueles espelhos desiguais que conferem suas propriedades aos diferentes objetos, dos quais raios são emitidos que os distorcem e desfiguram." - Bacon.


Detalhes são os limites, a metonímia é essa parte que, ao mesmo tempo representa o todo, o perverte. Pois, nesse movimento de uma maior aproximação, as proporções nos confundem e somos levados a um processo revolucionário, de pequenas mortes. A psicanálise nos da assim essa ferramenta do gozo, de auxiliar os desejos segundo o outro que nos observa e filma nossa caminhada por premissas que a princípio podem parecer categóricas, mas que são caminhos e aberturas para outras premissas de um sistema diverso. As rodas do trem se tornam as engrenagens da maquina de costura, a tesoura se torna uma arma, os limites de um objeto se portando como outro ou ganhando outra utilidade. Tudo depende da moral em que esta inserido, e o sistema ético ao qual somos jogados trará a forças que constroem esses próprios limites, das curvas pelo próprio objeto traçado pela pneuma, ou o mentalismo vivente daquele meio, mas que sempre por movimentos intuitivos transforma essas linhas em motor contemplativo. Em conjunto com  movimento de câmera, portanto da encenação, do corpo que toma outros trilhos que não é o mesmo da câmera que continua seu trajeto, de fluxos e influxos, seja centrifugo ou centrípeto. De uma corriqueira inocência que perpassa esse objeto iluminado para poder criar dele a sua amalgama sobre o contexto, da conjunção de significantes em torno do símbolo, inconsciente se abrindo para outro inconsciente. A intuição conectada a brisa mais gélida que ciclicamente desce provocando essa vertigem a beira-mar, onde o horizonte se alonga e a planificação se faz mais tortuosa do que o próprio sistema econômico nos impondo a vida dupla grega. Do socialismo e da igualdade entre gêneros que nos interpõe a cadeia e o simples movimento e o deslizar dos corpos para produzir outras magnitudes e magnetismos, nos trancafiando numa magia onde o próprio socialismo é reacionário, apenas uma mera direção fundamentada pela mercadoria suprema, da energia sexual sendo sugada pelas curvas do limite da metonímia. O modernismo eterno que se repete no momento exato do contemporâneo, pois o tempo que tenta se distender acaba levando o espaço contigo, num movimento que rompe a matéria liberando os males e deixando que a matéria se vire sozinha. O espirito que ao exorciza-la e carregará alma do corpo consigo não pode com seu peso, largando-o em outros espaços que possam ser distendidos, que possam ser mais elásticos. Esse todo encontrado no detalhe é  o mote do cinema que recorta a imagem ao seu bel-prazer, do positivo como movimento horário e nunca anti-horário, não é uma produção esquizo em nome da liberação total, mas uma afirmação do que está dado, do fascismo como um bem durável e agora de consumo. O mentalismo dito antes passa a ser então intuitivo, simbólico ao máximo. O espirito não serve ao pregresso técnico, mas se e somente se, os desejos de se encontrar com a bissexualidade e o centroesquerdismo. Ser popular é nesse caso o que move nossas energias incontestas que não puderam ser consolidadas no confronto de diversidades.


Referencias

O mito de evolução da linguagem em um poema de Carlos Drummond de Andrade. - Isabella Moraes

Kant e a modernidade - PUC.

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