Dreileben: Komm mir nicht nach, 2011.

Dominik Graf.

"Se abdicarmos do projeto de escapar das “perspectivas e peculiaridades humanas" então a questão mais importante versará agora sobre que tipo de seres humanos nós desejamos nos tornar. [...] essa questão se dividirá em duas. A primeira é: com que comunidade nós nos identificamos? Em quais delas pensaríamos em nós mesmos como membros? A segunda é (para adaptar a definição de Whitehead de religião): o que devo fazer com a minha solidão? A primeira é a questão sobre nossas obrigações para com outros seres humanos. A segunda concerne a nossa obrigação de, nas palavras de Nietzsche, vir a ser quem nós somos." Rorty

"Já explicamos muitas vezes que esta revisão dos valores foi provocada pelas necessidades sociais da burocracia soviética: tornando-se cada vez mais conservadora, ela aspirava a uma ordem mundial estável; desejava que a revolução terminada, tendo-lhe assegurado uma situação privilegiada, fosse suficiente para a construção pacífica do socialismo e reclamava a consagração desta tese. Não retornaremos mais a esta questão; limitar-nos-emos a acentuar que a burocracia está perfeitamente consciente da ligação que existe entre suas posições materiais e ideológicas e a teoria do socialismo nacional." - Trotsky

Quanto mais próximo ao micro mais visto é, ou quanto mais distante dele as coisas se tornam mais difíceis de serem analisadas. A visão se torna o sentido mais primado e reificado, quanto a proximidade se modifica em abstração e contemplação, logo as relações que operam o todo se imiscuem nessa força que é vista e pode ser tocada. Enquanto se caminha pela a força de trabalho, as camadas vão se perfazendo, lapidando uma força na outra, criando essa redoma, como uma bola de cristal kantiana, o objeto na palma de nossas mãos. Conforme a narrativa vai progredindo as forças vão se desvelando vagarosamente, percebemos o porquê da mudança repentina da personagem principal, e o que guia suas vontades. Tem a manipulação triangular que rege aquele pequeno grupo na casa, da dialética contida pelo devir, e desse cada vez mais distante ao olhar se tornando recalque e motricidade daquele grupo, o que expulsa assim os personagens de seus espaços, do carro como presença no estacionamento causando uma elipse que condiz com o poder de se tornar mais eficaz enquanto ser politico, e dessa mansão que foi refugio de comunistas, e agora serve de inspiração para construção de romances. O que interessa aqui não é a dialética sobre a conjuntura metafisica, o zeitgeist do espaço-tempo, mas como esse lugar, e seus quartos fechados irão incitar o progresso e a nova motricidade dessa dialética. Como segundo filme de uma trilogia que fará essa medida castradora de notificar a corrupção dentro de um sistema, agora como recalque, antiético, por se desvencilhar do que é mais importante, ao mediato da visão e não do imediato do espirito, insistindo com a importância maior das matizes, de como um dos policiais invadirá a casa em busca dessa força independente, calcada na maçonaria, na triangulação entre os corpos, de um socialismo que só existiu como tentativa e erro. O que transforma as forças minoritárias em meros aspectos liber all, para servir como ferramenta entre fantasmagoria parapsicológica de imagens no subconsciente se desfazendo como musas, a somente a imitação do espirito, reconstruindo e conjuntando o plano cartesiano em diagramas que estão mais satisfeitos com as conclusões do silogismo do que suas premissas, não construindo curiosidade com o que vem antes dos axiomas que o fundamentam. A caça, portanto termina como uma pantomima midiática que leva nossa guia a epiderme dessa relação trinaria e sentirá na flor esses cromossomos forçados ao esquecimento, fazendo seu efeito com a passagem do tempo. Cinema é assim a principal ferramenta junto ao carro e a molier, de assentar a inquietude dos espectros fazendo com que o espirito revolva-os novamente em tribos, que por mais cientes em níveis diferentes, ainda possuem algo em comum, seja a filosofia ou sua mais indigna mais nova irmã, a economia. Historicamente pessimistas, no que tange ao progresso meramente técnico e não do humano, o positivo toma essa forma de aparato externo a nós, como o aparelho auditivo que agora conecta as pessoas novamente por meio dessa elipse ex machina; a técnica aperfeiçoando os materiais imperfeitos.


Referências

Filosofia pós-analítica? Em torno do pensamento de Richard Rorty. - Giovanni Queiroz.

Totalidade e internacionalismo em Leon Trotsky. - Felipe Demier.

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