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"A diferença entre os dois modos de realização, o frasal e o lexical, situa-se principalmente no ponto de chegada das transformações. A realização sintática do discurso consiste na sucessão de elementos sintagmáticos autônomos, reconhecidos entre todos os falantes de uma mesma língua como palavras ou unidades de significação no bojo dos esquemas sintáticos de frases simples ou complexas. A realização lexical, ao contrário, se traduz por uma sequência específica de elementos de construção sob a forma de uma sequência de fonemas soldados, cuja contraparte gráfica é uma sequência de grafemas coalescentes ou uma sequência de elementos distintos reunidos por um hífen, à qual corresponde uma unidade de sentido, ou ainda uma sequência de elementos autônomos sem outro liame aparente que não a significação global. Mas o processo único diferencial entre os dois esquemas, um sintático e o outro lexical, permite ligar a significação menos à forma construída que à própria construção. Todo segmento de frase pode funcionar lexicalmente, dado que resulta da transformação de uma frase. O intercâmbio entre a realização sintática e a realização lexical não é tão somente o resultado de uma equivalência semântica, mas ele se produz em virtude da unidade profunda a partir de uma frase de base comum. Inversamente, a partir de uma realização sintagmática frasal, pode-se retornar a um esquema lexical conjunto, em virtude desta mesma unidade profunda" - Gilbert.


"[...] Porque se é verdade que a natureza expulsou o homem e que a sociedade persiste em oprimi-lo, o homem pode ao menos inverter a seu favor os pólos do dilema, e buscar a sociedade da natureza para meditar, nela, sobre a natureza da sociedade." - Lévi-Strauss


"[...] que o aluno tenha possibilidade de apropriar-se dos significados dos conceitos matemáticos, faz-se necessário também uma etapa de descontextualização, o qual exige que o objeto de saber adquira o status de saber matemático abstrato e independente do contexto. O avanço nos níveis de apropriação das significações dos conceitos matemáticos está relacionado a um movimento didático pedagógico de contextualização e descontextualização e a uma etapa de descontextualização dos conceitos com relação a situações e/ou circunstâncias imediatas, em que a abstração é um elemento essencial para que o aluno produza seu saber." - Battisti et al


A relação não se da pela justa medida como Aristóteles filosofou, mas pela injusta desmedida, o médium não é exposto por charlatanismo, mas pelo progresso que o ultrapassa e não necessita mais de seu serviço, a vida agora é outra, mas principalmente da câmera, antes camarada do próprio mago, nos transformando em estrelas matutinas, distantes umas das outras em comunicações extremamente simbólicas e dicotômicas em seus princípios. O combustível sobre a fina camada de água, da lamina que precisa ser quebrada corajosamente para nos dar esse meloso sabor do passado, do clássico devidamente esquecido, e agora esquematizado enquanto lambe suas feridas e se porta como uma quimera a ser confiscada novamente pela alquimia, quase uma anticiência, o efeito colateral de um bibelô do homem pregado na cruz largado e sendo apanhado pelo zoom, pela microscopia. Falso prefixo neo.



Is spiritualism a fraud? the medium exposed, 1906

J.H. Martin

A ação pressupõem uma premeditação, ou a inércia como essa força primeira mesmo que o aparato esteja em repouso. A comunicação entre esse charlatão que será desmitificado com seu aparato, da câmera que delimita e faz a ética acontecer, mesmo que deficiente, pois é um espaço privado de um quadro, a iluminação fará esse papel do fora de quadro embutindo um nível a mais de camada, de encenação, dando-nos o duplo da revelação quando a luz é novamente acessa aos espectadores que não eram cientes das suas artemanhas. A câmera serva do empirismo, o acompanha em sua castração também, constrangendo-o e reforçando o mal que a ética se tornou.



Voices of a distante star, 2002.

Makoto Shinkai

Agora essa relação entre a câmera e os oprimidos não é mais como aparato, da alavanca que acionará os movimentos, porem entre a dimensão planificada entre verticalidade e horizontalidade, mais o boleado da profundidade organizada pela iluminação, pela dicotomia do claro-escuro e pelos sentidos dos traços. Principalmente pelo vazio, o hífen que liga esse claro, ou clarão que pode despontar de longe como uma estrela que explodiu faz tempo, quanto o escuro a ser lentamente iluminado. Do crescimento das formas, de novos tipos de maquinas também numa dicotomia entre o humanamente construído dos robôs, e organismo aqui duplicados de sistemas nervosos também nossos, alienígenas que mais aparentam o primitivo em nos a ser combatido para uma nova forma de sociedade, de templos que nos caibam.



Fishing for memories, 2017.

Aaron Berry.

O contracampo em seu statuto essencial, se é que podermos dizer isso ainda, da repetição maquinica de diálogos de obras terceiras fisgadas pela memória precisamente fresca com o material. A descida ao porão alagado traz essa viscosidade que permanece na construção dessas relações, da gnose que alimenta as luas e os mitos, do masculino que nunca se encerra, e do feminino sempre a ser lapidado. Energias calcadas por essa fundação, de uma casa, uma metafísica sendo erguida pelo esquecimento, e esquecimento não como falta, mas um organizado armazém, mesmo que em sua desorganização, possui uma lógica a qual embute seus pertences.



Para sempre lúcifer, 2022.

João Pedro.

Genesis do que somos, arquétipos-imagens imprimidas no ser, que através do tempo vão se desfazendo e fortalecendo, incluindo o ser social mesmo que apartado dessa teia que abarca formas e pedaços de formas que se ajuntam para se dar em algo. Um filme de romance nesse sentido, do movimento das imagens, nas suas relações melodramáticas por mais que se mostrem desconexas e contraditoriamente iluministas, do homem lobo do homem. E, ao mesmo tempo é o cinema que nos enclausura como uma lavagem cerebral a princípio, terapia de choque que nos atravessa, para em seguida nos libertar, por mais que a carne, a matéria até seja um empecilho. A coleção de memórias assim por mais destoantes, conversam, seria essa quarta dimensão sendo quebrada, cinema como erro de continuidade além do próprio filme.


A identificação do prefixo em diversas abordagens linguísticas. - Paulo Duarte.

As lentes do pensamento. Leituras e apropriações na constituição do campo da antropologia. - Allan Oliveira.

Da atividade ao conceito de plano cartesiano: uma vivencia na escola. - Ricardo Roque et al.

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