The Ten commandments, 1956.

Cecil B. DeMille.


"A autoconsciência, ou seja, a certeza de que as suas determinações são tanto objectais, determinações da essência das coisas, quanto seus pensamentos próprios, é a razão; enquanto tal identidade, a razão é não só a substância absoluta, mas a verdade como saber. Com efeito, a verdade tem aqui por determinidade peculiar, por forma imanente, o conceito puro que existe para si, o eu, a certeza de si mesmo como universalidade infinita. – Esta verdade ciente é o espírito." - Hegel.


"O fato de que o espaço seja chamado a ter cada vez mais um conteúdo em ciência e técnica traz consigo outras consequências, como uma nova composição orgânica do espaço, pela incorporação mais ampla do capital constante ao território e a presença maior desse capital constante na instrumentalização do espaço" - Santos.


A divisão do espaço se da pelo ponto de vista terceirizado, é o que esta fora que indicara e formara os opostos, ou como o próprio diretor diz ao abrir o filme, nos indagando qual é a força que nos oprime, Deus ou o Estado? Revelada a dicotomia, começa-se a criar a economia, em qual dos lados estará a força, sem contarmos com o observador primeiramente? Enquanto se insiste no cabo de guerra é essa terceira via, obviamente inculta e oculta ao sensível que nos porá de acordo com a magnitude do ambiente em que nos encontramos. A arquitetura e a engenharia vem nesse tempo para nos enganar, tapar-nos da própria realidade nos pondo em um turbilhão, e em processos caóticos e também nos revelar nesse meio tempo dimensões antes não previstas. Por mais rigorosa que for essa mecânica criadora da dualidade, ela não abarca o todo das monções, mas também não compreende o que esta por vir, cria-se no decorrer novas formas de abarcar o outro, principalmente quando alguém se descola dessa realidade trinaria, precisa ser apanhado por outra metafísica, contudo, como uma casa construir pirâmides e geometrias que darão lar para a loucura. Para que se trace num momento de paz sobre Aldebarã, uma lista de mandamentos a serem consagradas, de trazer o apartado de volta para a casa, agora sim, economia. O trabalho se torna autodidata ao ponto que o corpo já não é mais necessário, e a expectativa de vida seja transformada em símbolo, uma média entre nos e não-ser social, desse que apartou e glorificou-se além da representação, e que portanto estará sempre em despedida… é tão ruim assim criar ídolos? São mais questões, e que é a real importância a ser consagrada, e nunca a economia que vira depois da deliberação dada por esse ente cósmico. Ser correto pela ordem traçada por qualquer entidade nos faz assim nunca próximos de nos mesmos, sendo o humano um ser social, esse deus já devia estar intrínseco a nos, mas que por via de alguma regra não se coloca como uma revolução constante. Quer sempre reorganizar ao sabor da técnica, do novo obelisco, da nova representação a ser dada ao terceiro, aqui da câmera que filma, mas também pela montagem, de como os planos conversam na decorrência das monções.  O embate entre esse lar, lugar de onde se fala, esquartejado pela loucura dessa gnose nunca vista, mas que insiste com seu poder de se fazer arte. De neoplatonismo a ervas que trarão de volta o primogênito que já foram amaldiçoados por todos os conceito e por ainda uma falta de filosofia sobre a alquimia. Veremos que essa união dada pelas questões de onde vem a força não condiz com seu cerne, pois é também imutável em seus atos de recortar e dividir os atores em suas gestalts. A força é assim uma qualidade e nunca uma quantidade. Não nos importa se é Um ou múltiplo, mas como a mistura se dá, e em que momento e espaço, do cinema como a única questão a ser feita, e afirmativa, nunca interrogativa. Fazendo do clássico um papel de parede, e nos dando a produção de valores como um trem em carga traçando o quadro num filme avant garde que se assimila a um documentário, mas que constrói narrativa dentro do Um, não como reação orgânica, mas técnica disruptiva. É, para que fique mais claro, aquele aparato usado por Moisés para reorganizar e fincar o obelisco, mesmo que vidas sejam gastas com isso, ou do dedo de deus escrevendo na pedra, o símbolo do sinolo, da representação em estado de desgraça auquimica  num corpo eternamente cis.


Referências

A dualidade formal e informal na busca pelo direito à cidade: os processos de construção do espaço urbano a partir da moradia na cidade de Vitoria. Indira Maria.

A crítica de Hegel ao dualismo sujeito-objeto de Kant. Marcio Tadeu.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Antimimom Pneuma

Hilemorfismo teatral

Relações demasiadamente funcionais.