Occhiali Neri, 2022
Dario Argento.
"Mas é preciso que saibas que no regime de tuas afeiçoes es teu próprio senhor: nenhum fogo se eleva na esfera de teu corpo e de teu espirito, a menos que tu mesmo o despertes. É verdade que todos os teus espíritos movem-se e elevam-se em ti, e é preciso convir que um espirito sempre tem em ti maior força e virtude que os outros; pois se no homem o regime de um espirito fosse como o dos outros, teríamos todos uma única vontade, mas todos os sete estão na força da inteira corporizaçao de teu espirito(anímico), e este espirito (anímico corporizado) é a alma." - Jacob Boehme.
"Mas como crer que conhecimentos tão racionalmente novos, que conhecimentos que reclamam sem cessar um alargamento e uma reforma da racionalidade, não determinem modificações psicológicas radicais? A nossos olhos, uma ontogênese, do lado do sujeito, deve corresponder à potência objetivamente criadora da cultura científica. E se levarmos em conta o caráter constituído do sujeito que toma consciência de sua atividade racional, veremos que não se pode acusar de “psicologismo” uma doutrina de cultura que visa as normalidades do pensamento científico." - Bachelard.
Não é a própria subjetividade que nos linka? No sentido de ligar-nos, do latim religare, religião, remendar a ligação, construir espirito oras. A verdade desfactuando-se. Dar sentido, lançar a flecha, impor na montagem/edição um plano que corresponda subjetivamente traços de reminiscência entre os personagens e os conecte, nem que seja para tentar escapar da morte, um instinto! Assim como a filosofia o é, um instinto como também não é, mas também uma humanidade civilizada. Da ordem como progresso que nega o negativo, e do positivo que constrói sobre esse negativo, algo que fará mais sentido aos elementos, mas principalmente o da visão, estritamente conectada ao fogo, e esse por meios esotéricos ligados a intuição. Como na tradição em que é essa intuição que irá nos avisar do perigo, se e somente se do perigo, e não muito do abrigo, das amizades e do acalento, da complexidade do além, os quais seria um processo mais do espirito, da construção, do ar, e da pneuma. Esse movimento que se da mais acima um pouco dessa intuição, pois é no reflexo dos espectros devirgens que a lógica e a força motriz está contida o movimento em potência. Como o assassino em potência contido em todos os furgões da cidade, como um significante voltado a si, se autoreferenciando e nos dando somente sinais de morte, de necro politicas e de processos antirrevolucionários de mantenimento do Genérico. Eles vivem, nós morremos, é nesse movimento do Estado que fará com que o Eu seja revoltado e antirrevolucionário, perspicaz enquanto animal, e dócil enquanto humano. O capitalismo só pode se dar dessa forma na mais-valia, numa visão estreita no momento que o eu começa seus encontros com a intuição que o cerca como um líquido amniótico, e aqui coberto de outros tipos de óleos, em chamas, bilioso; ansioso e depressivo é a única dualidade em que o ser se agarra agora. Seu recipiente não é mais o útero, ou o feminino dos beatos, mas um aeroporto, um terminal, um lugar de ninguém em constante trafego e trafico de almas. A esperança espinosista é jogada ao ulterior além desse lago em chamas, desse ninho de cobras d'água. Espectros rodeiam as membranas que revestem a lógica sobre a intuição, vem para destronar a mercadoria, o olho, transformar o gore num musical, num filme famiglia quase passível de sessão da tarde. Quase porque ainda cotem em si a analogia, a metáfora da terra, dos espectros que como cobras se assimilam a espermatozoides traçando vontades de vida, do fulgor prestes a explodir no momento que é elevado pelo espirito e tornado num processo revolucionário, um embrião comunista. Reagimos, portanto a um holograma, uma imagem refratada pelo ambiente logico, ao passo que o espirito paira nesse campo de forma com seu refrator. O campo é um lugar inexistente assim, como diz o medievo aristotélicos: "Terminus continentis immobilis primus". É recipiente, porem é o escopo que mostrará se ele é ou não um verdadeiro lugar, apesar da ciência moderna em suas produções factuais e relativas; o que nos devolverá a atividade espectral e reformista, do místico como reator desse ecossistema, desse ninho de cobra, da globalização. O pessimístico se mostrará mais afeito a sorte dessa esperança enquanto positivo como força a priori criadora e a posteriori inventiva. O socialismo como um duplo muito mais próximo do campo imutável do que mutável, de uma montagem que deixa de ser pavorosa para in-significante, mostrar-se empiricamente viável aos pares, do buraco de minhoca como único caminho a China, a uma nova reificação e feitichizaçao.Do positivo se tornando otimizado otimismo que não seja algo tão distante, não ao pai, não ao novo filho, não ao homem de negócios, não a assistente social, não a emprega emigrante, mas ao fétido cuidador de cães, o que esta entreato, tão longe e tão perto mercantilisticamente, que nos dirá se pode ou não sermos órficos agora. Diferenciando os dois místicos, daquele que reage a refração ao do que pessimamente vê o movimento de elevação do que é comum-imediato ao social, alegoria e psicologia.
Referencias.
Mysterium Pansophicum: Imaginario e Esoterismo em Jacob Boehme. Joao Florindo.
A aurora nascente. Jacob Boehme.
Entre Bachelard e Canguilhem: da psicanálise do fogo à pedagogia da cura. Caio Souto.

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