No Shark, 2022.

Cody Clarke.


"O apóstolo foi, e ao vê-la presa com correntes porque dilacerava com mordidas os que se aproximavam dela, mandou soltá-la. Como os servidores não se atreviam a chegar perto, ele disse: “Tenho amarrado o demônio que estava nela e vocês têm medo?”. Ela foi desamarrada e no mesmo instante ficou curada." - Maimônides.


"Hashem que é a Verdade, zomba e os ridiculariza, porque com suainteligência fraca tentam atingir uma meta inalcançável. (...) Somenteuma criança que não sabe nada dessas religiões poderia comparar a nossa fé dada por D‘us, a teorias fabricadas pelo homem. (...) As outras religiões que são parecidas com a nossa não tem um significadoprofundo, são histórias e contos imaginários nos quais seu fundadortenta se glorificar. Os sábios percebem a farsa." - Jacopo de Varazze

 

Anti-cinema não quer dizer com o seu fim total, mas uma forma destoante e desprezível em seu ínterim. O desprezo não é a negação por completo, mas o jogo bem jogado, fazer com que o outro seja atraído por completo retirando-o de sua subjetividade, e exterminando a possibilidade de amizade que possa vir surgir. A potência sem o ato deixa as coisas em si, e nunca para o outro, é ela em estado puro endeusado: sei o que tudo sei, uma onipotência. Nietsche não nos leva ao caminho da loucura ainda, nem muito menos Sócrates mas as interpretações ocorridas pela filosofia renascendo no pós segunda guerra. Não há lugar de fala, de experiência, como nunca houve, se e somente se, a robótica se fazer em pura presença, destituindo a potência, e nos dando uma vida em atitude, uma vida cinemática oras, seriamos assim como estrelas de cinema autômatas. Ou como a nova onda do cinema nos dará essa vida in extremis ciência, mitológica e de tão obvia que negativa, inobservável, esta tao próxima que não somos capazes de construir um ponto de vista para se quer vê-la. Nesse traço em que o objeto nos adentra e sai pelas nossas retaguardas não deixando muitos rastros, são os resquícios do que pode vir a ser arte sem a técnica, da arte como essa pura potencia, mas também que perpassou pela substância contida na matéria e a carregou em frangalhos, numa especi de exorcismo telúrico. Não que não tenhamos mais pontos de vistas, cada um é único e por isso a diferença se faz como soma e não mais subtração, mas é exatamente nesse processo que a guerra se faz mais exorbitante, num terreno com outra fauna e flora ainda a ser redescoberta. A repetição de planos e de lugares que parecem mais do mesmo nos da a ferramenta chave para o entender dessas novas formas de aporte com a realidade, o qual num primeiro momento se mostra bem física, a imagem esta ali afinal, mas é sumida pela voz, pela narração irônica e nada espirituosa. Espectralizada consequentemente pelo próprio plano o qual nega e insiste em exaurir em suas explicações, o plano e a visão do todo esta tão presente que se ausenta, os diálogos estão ali mas também são abafados, nos remetendo a época dos filmes silenciosos, assim como todo o gore que esta ali sem haver algum derramamento de sangue se quer. Um cinema especialmente teológico, sem aparatos que fazem com que sua projeção se de formalmente pela gravidade da organização da cena, mas pelo sol negro de uma joana D'Arc, de um ídolo ambulante, com vontade e desejos que não estão aquém, porem cobrem com um tecido que nos faz ter a visão impaciente enquanto somos exorcizados por essa almalgama de matizes-motrizes, formando uma camada hierárquica em aceleração pelo primeiro motor imóvel; a economia nos comprimindo nessas relações autofágicas e habituais do dia-a-dia que não faz menção em sumas teleológicas, mas em subtrações impedida pelo próprio devir. Diz-se o que quer, mas não se apresenta como solução, pois é expelido em des-forma absurda, em tese aperfeiçoada de sociologia. Os títulos em cartelas nos dão o dia-a-dia que progride até o derradeiro consumo de mais um objeto sendo sugado e levado as últimas instancias da matéria, aqui no caso, dos corpos machistizado, por essa manticora de relações sem espaço de voz, rarefeitas as espadadas. È obvio que esses resquícios são também puro melindre, digo o do momento do arrombo desse tecido ao fagocitar o objeto desejado empurrando-o aos porões. Um grande filme de terror e horror a céu aberto, a luz do dia, onde a imagem não pode ser confiscada já que sempre forjada no e pelo obscuro, no máximo a luz vermelha e nunca alva. è uma inversão sem queerer querendo desse principio puro, do prefixo meta escondendo sua religiosidade; dos tubarões a espreita na superfície de teorias cartográficas.

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