Mother India, 1957.

Mehboob Khan.

"Observou-se que os corpos lançados, ou projeteis, descrevem uma curva de um certo tipo; mas, que essa curva seja uma parábola, ninguém o pôs em evidencia. Fatos como esse, e outros não menos numerosos e dignos de ser conhecidos, é que serão demonstrados para, desta forma -  o que considero muito mais importante -  dar acesso a uma ciência tão vasta quanto eminente, cujo inicio esta marcado pelos próprios trabalhos e cujas partes mais recônditas serão exploradas por espíritos mais perspicazes que o meu." - Galileu Galilei.


"(....) conhecer, (...) é kairós: o evento do conhecer, do nomear, (...) é a imagem clássica do ato de lançar a flecha — aqui, na pós-modernidade , é a ocasião ontológica, absolutamente singular, de nomear o ser diante do vazio, antecipando o e construindo-o na borda do tempo...(...) o nome comum, para garantir as condições do evento, é implantado no horizonte de uma fenomenologia fundamental do tempo, indicado na flecha do tempo, na luta que separa a abertura de “ser-porvir” da repetição insensata no vazio do “futuro”(...)" - Antonio Negri.


A retomada do cadafalso, da estrutura que elevam o ser, e aqui não somente físicas, mas culturais, portanto espirituais, carregam a sorte em seu conjunto. O senso comum a vê como uma força abstrata chamada como sorte e posta a deriva por esse mecanismo intersubjetivo, da observação que se faz estritamente rebuscada, como numa oscilação de caráter onde o mais adaptável vence. A superfície é tratada como o ulterior, o fluido que perpassam as caixas, os planos e espaços nos dão a liberdade sem responsabilidade das forças, e que o certo é construir bolhas, ecovilas, amor sublime ao pedaço de terra que se pisa. A contradição esta dada, a terra não esta para a altura do que se monta sobre ela, mas como natureza pode ser transformada em norma através dos hábitos e o tempo. Somente uma destituição desse tempo e dessa norma para nos por de volta nas rédeas de uma vida mais simples e verdadeira? Desmancharíamos a norma e o que nos sobraria se não a própria natureza? A capacidade é tanta que se pudéssemos desmancharíamos essa natureza e ir em busca de novas faunas e floras para serem classificadas. Não é pela busca espiritual, de ganhar conhecimento e lutar contra o factual inimigo, mas de permanecer naquele espaço, testando o tempo, e o tempo aqui como clima também, minúsculo. Ocorre então a inversão do que é natural, passando de algo maior do que nós para menor, sob nossos pés, e como bípedes envergados nos afastamos dela. Invertemos também nesse momento o melodrama, da mulher que sai das costelas do homem para agora ser seus próprios braços, desmanchando-o. O trabalho não pode ser mais dado pela mão, mas pela inteligência, pelo mentalismo insubstanciável. Por mais desastres naturais que aconteçam mostrando que Ela ainda é presente, essa espiritualidade que se faz de logiqueta para manter o gado em seu curral permanece como resistência reacionária. Pouco se fala de mitologia aqui, mas trabalho, causando mais contradições, e cada vez mais paradoxais, portanto sumidas aos cinco sentidos. O preconceito ao espirito é criado, construamos espectros. A soma se da por doenças que vão carregar esses corpos como num filme de ação, enquanto um ente se vai, se chora, se sente, para que no plano seguinte as maquinações continuem acontecendo, relações continuem se dando, não há tempo para o luto, para a filosofia oras, porem a continuidade da vida, do progresso material. Dos montes de safras e da vontade de se desprender daquela agora, Memoria, de não querer construir academias ali, mas um novo espaço-tempo, mesmo que abafado por essa mãe coruja que tudo sabe e que odeia a intelectualidade, a pneuma do próprio filho que rapidamente por intuição aprende como se libertar e emancipar seu povo, e que contraditoriamente é atiçado por ela mesma, ao passo que se mantêm o receio da rebeldia, da revolução. A reforma é a própria esquizofrenia, um ponto no nada onde se almeja o não-ser por obviedade, por exorcismo, desse túnel de minhoca que nos leva a nostalgia e ao romantismo de que a adaptação ainda é o melhor remédio. Ainda se busca a superfície. Não poderíamos falar de essência e feminino-masculino, mas somente do campo genérico da doxa, sem o seu prefixo para, o qual constrói a contradição não como reforma e tentativa de conter as forças, mas como uma dialética in absurdo, do paradoxo em seu estado revolucionário, imutável ao olho nu dos afetos, desmanchando agora as bolhas, os espaços, e nos dando a outra sorte, a dos filhos do Tempo.

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