Greve, 1925.
Sergei Eisenstein.
"à existência daquele que crê no mundo, não propriamente na existência do mundo, mas em suas possibilidades em movimentos e intensidades, para fazer nascer ainda novos modos de existências, mais próximos dos animais e dos rochedos. Pode ocorrer que acreditar neste mundo, nesta vida, tenha se tornado nossa tarefa mais difícil, ou a tarefa de um modo de existência por descobrir, hoje, sobre nosso plano de imanência. É a conversão empirista (temos tantas razões de não crer no mundo dos homens, perdemos o mundo, pior que uma noiva, um filho ou um deus...). Sim, o problema mudou." - Deleuze e Guattari.
“preço de uma iniciação semelhante aos mecanismos pelos quais atua o álcool, paralisando por algum tempo a atividade diferenciadora dos lobos cerebrais e imergindo o homem no estádio das representações e hábitos sensoriais e difusos. Ou, pior do que isso, atuando em conjunto com a esquizofrenia, que paralisa essa atividade para sempre [...]” - Ivanov.
A força com que montamos nossas evidências sobre a matéria é o que estamos buscando em dar sentido, narrativa. Seja em linha reta ou que faça curvas e retorne ao ponto de partida, com seus cumes, vales, e depressões ao longo da jornada. Lança-se assim ao além, ao lugar onde não se sabe que vai chegar. Essa é a força motriz primeira que se tornará assim o combustível fóssil da inércia, que ora se mostra mutável, ora imutável. Um problema a muitos e que ainda é passível de questões ao que esta constante em movimento e nunca para, e ao imutável, estático e sempre. A inércia será então a chave para entender o que ocorre nos dois estados, analisamos o fenômeno ao qual o objeto esta inserido, mas nunca o objeto em si mesmo. È do comum acreditar que o imutável não está em movimento, como um monge que medita, ou que a flecha lançada nunca está em repouso durante seu trajeto. Contudo, é no cinema que conseguiríamos resolver essas dicotomias dentro do próprio ser-objeto. Enquanto em repouso, o tempo passa, mas só saberíamos pelo seu entorno, como num filme-instalação do Warhol, por exemplo, em que vemos horas e horas de um prédio, ou acompanhamos o sono de alguém, esse repouso é mutável pelo tempo e por si mesmo, pois esta como organismo reagindo a ele, lentamente morrendo diante da câmera, para que na projeção seja destruído ainda mais como imagem mística, e agora atemporal, a não ser pelas técnicas de conservação que façamos de seu material, e digo técnicas aqui como nosso olhar também sobre esse objeto imutável imprimido no tempo fílmico. Vamos ou não continuar dar vida a imagem do prédio? Depende de nos. Enquanto objeto em movimento é a montagem que nos revelará sua imutabilidade, e aqui adentramos no cinema de Eisenstein, da difusão do próprio devir e da inércia como um anti-indolência. O trabalho é ato, e ato é antes da própria força motriz, a potência não pode sobressair, não há fora de quadro, mas sobreposições e camadas de planos, de corpos que são lançados, mas não são resolvidos como fim, digo, como chegada, não há aqui um lugar onde se possa dizer que o objeto parou, findou, ou fincou se no caso de uma flecha. Gerando uma contradição interna e privada no fotograma. Não conseguimos revelar se esse fim esta contido pelo quadro, pela captura feita pela câmera, já que o turbilhão não esta no fora de campo de suas lentes, mas dentro, interno ao corpo que é capturado. O comunismo como produção de diferença, de revoluções constantes e mantidas por uma maquina que a filma. Esse campo de força contem assim o ato e a potência que esse ato gera, da fábrica que não funciona sem seus operários, do suicídio eminente sempre que uma cartela surge para dar novo rumo a correria, da revolução em ato, e do fim da potência, ou talvez de sua inexistência? Como se não estivessem se importando com o que pode vir a ser, mas vivenciando-o, ou a ciência de nunca poder entrar no rio duas vezes, mas também de forma radical e hiperparabólica: nunca entrar. Se estamos enclausurados pelo plano fílmico, essa transição de um plano ao outro sempre é interrompida pela montagem que já nos joga em outra instância, é outro plano afinal, isso se não antes uma cartela nos destitui e no assevera que o mundo já é outro, os desejos e vontades não podem mais serem os mesmos. Toda a proposta do que esta além é esvanecida pela própria afirmação niilista do não-ser que conteve o direcionamento das lentes da câmera, seria necessária a truncagem de um cinema de estúdio feito por mágicos, e não por sociólogos e artistas do campo da empiria, que dão algum sentido ao sentimento. O intelecto precisa assim da criatividade, do que esta enclausurado e não pode por força ser desperto, para ganhar movimento, o que virá fora do quadro precisa de outro categoria de olhar, atento a lógica que paira sobre a intuição da matéria em seus estados pavorosos. È corriqueiro o sentido, o traço que a flecha faz é memoria, precisa ser conservado, agora, seu objetivo não pode ser classificado junto a consciência por isso não pode ser tratado como um duplo da linha que a flecha construiu em torno do tempo, mas oque apareceu aos sentidos através do ângulo, na iluminação, e principalmente no plano conseguinte.
Artigos.
Além da teoria da montagem de Eisenstein: princípios gerais da construção de obras de arte. Cristina Paiva.
Crer, experimentar, fabular: ensaio sobre a experiência? Christian Fernando.

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