"Censor", 2021.
"E se podemos falar em gênio no singular, em virtude da sua singularidade, nunca podemos falar [...] desse modo sobre o espectador, espectadores existem somente no plural. O espectador não se envolve no ato, mas está sempre envolvido com seus companheiros espectadores. Não tem comum com aquele que faz a faculdade do gênio, a originalidade, ou como o ator, a faculdade da novidade; a faculdade que compartilham é a do juízo." Hannah Arendt.
"Stirner fala do Único e diz imediatamente: Nomes, o nome não é você. Ele articula a palavra, logo quando ele chama isto de Único, acrescenta, não obstante, que o Único é apenas um nome.[...]O que Stirner diz é uma palavra, um pensamento, um conceito; o que ele tem como significado não é uma palavra, nem pensamento, nem conceito. O que ele tem como significado é indizível" - Max Stirner.
Voltado ao “desenvolvimentismo” do personagem, e a experiência direta com a realidade que a rodeia, Inglaterra anos 80, conseguimos já indagar o quão sublime pode ser essa força que, ao mesmo tempo, nos reitera e reifica, também nos envaidece. A arte que deixa de ser techne na antiguidade grega para gradualmente ser integrada a estética. A confusão mental passa a ser não mais entre o mundo sensível e inteligível, porem de quanto é útil a superfície. O dinheiro já era concebível, das relações que precisavam ser mediadas por alguém, a intensidade social era múltipla, não sem fundamento, tiveram tentativas de unifica-las através da teoria, a começar com Tales e a sua visão de que tudo era água. O todo aqui nessa obra é indicado pela intersubjetividade mesclada na indústria de filmes B; indústria a ser ligada diretamente ao home vídeo, filmes que não passavam pelo grande circuito do cinema, e muitas vezes iam direto para as locadoras. É assim necessária o treinamento de uma polícia para conter essas imagens, faze-las com que não cheguem ao público de forma mais direta, desmembrar o já desmembramento técnico-econômico. Essa nova dualidade premeditada pelo prefixo neo, que ditará constantes revoluções, e que gradualmente se darão em revoltas e guerras hibridas ainda nos aportam o místico em sua presença ausente, noticias de casos de assassinatos brutais que serão logo remetidos a esse censor que peneira as imagens da indústria marginal, de uma realidade que não contem o humano, mas que está contida por ele através da sofística, do util dado pelo significante. A mestiçagem entre o digital e o VHS corrobora com a metafísica decantando na matéria e todo o trabalho do pai da ciência em conte-la, em criar a imanência, a revolta in loco, encapsulada pelo subjetivo que não é mais capaz de mudar as redes sócias em que esta inserido, é em fato mais uma peça e ferramenta fundamental para que o todo perdure como sempre. Mesmo que, e por mais realista, que esses choques materiais possam nos mostrar e nos tornar in-significantes. a potência revolucionaria é jogada toda para cima do individuo, numa nova forma de psicologia de massas do fascismo, mesmo que o esquerdista não queira assumir toda a vontade dessa multiplicidade pelo todo que no movimento mais syn-pathos nos dê como retorno, reflexo, a dualidade. continuamos esse jogo de espelhos entre o que se mantém distante e simbolicamente acima, com o que se mantém mecânico, mesmo que também na inércia e abaixo. E na tentativa de aproximação só resta o desastre, da busca pela igualdade que como motricidade e finalidade não condiz com a superação de qualquer realidade que seja, mas sua conservação, agora detalhadamente a moda dos geômetras. Não como numero imutável e em suma aritmética, todasvias com as formas mais rebuscadas e dissimuladas possíveis de um corpo Totalmente sem órgãos. Precisa-se reensaiar as revoltas, e o hibridismo passando inclusive pelo bruxismo, por Cronos, afim de que o tempo consiga ser contemplado e talvez reformulado pela arte como técnica novamente, viver o pensamento de uma privacidade dionisíaca e caótica. Perceber falhas nas coordenações e assim conseguir fazer um prognóstico ao invés de apenas receber fatos e dados, escapulindo das inter-relações e saindo pela arte agora sim, esteticamente potente.

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