"Rangeela", 1995.
"Rejeita-se a ideia de que a religião pode ser definida como necessariamente relacionada com seres sobrenaturais ou com deuses. Sugere-se que as crenças religiosas expressam o caráter da totalidade social; que a religião é a fonte original de todas as formas de pensamento, que subsequentemente se secularizaram; e, finalmente, que, embora, o domínio da religião sobre a vida do dia-a-dia decline no curso da diferenciação social e as velhas divindades desapareçam, os novos ideais de individualismo moral ainda preservam um caráter intrinsecamente religioso" - Anthony Giddens.
"A despeito de quão paradoxal ela pareça, a deusa que Homero nos apresenta como presidindo sobretudo sobre os jogos do amor surge em vários epítetos como uma deusa guerreira. (…) e não é evidente que os muito numerosos testemunhos que associam Afrodite e Ares sejam apenas o reflexo da lenda dos amores da deusa com o deus guerreiro." - Raoul Lonis.
A fronteira que abarca as forças transitivas e intransitivas, do que esta dentro para fora, e vício-versus, mas também e mais importante as intransitivas que permanecem no seio desse campo, quanto as que permanecem nas margens não podendo sair ou entrar respectivamente. A conversa e a transação se da pelo tempo e não pelo espaço-recorte, dos créditos iniciais abrindo com fotos dos astros da indústria… saíram todos da classe mais baixa? É o que da a entender, a ascensão é possível, não como uma consequência positiva, mas sim como uma otimização autofágica. Para que esse sujeito mais baixo em comportamento inclusive, precisa se passar como astro, nem que seja pela singularidade de se vestir, da extravaganza. E baixo aqui digo do ponto de vista do que esta nessa intrasiçao, as margens, mas que guia o meio, dita as regras, é um ser ambíguo, se faz de herói, mas tem todo o porte de vilão. Como na cena em que almeja a cidade do alto de sua mansão ao lado do pai. Não por uma vontade de vingança, mas tem ali uma melancolia que o põem nesse estado de não pertencimento, de um parecer do mal. A prima facie, a intuição que ajunta esses personagens, os que estão em movimento de ascensão direta e indireta, nos da vista do conflito, ainda é o melodrama a ser superado, carregado como forma, para moldar os espectros que lutam para transitar e transcender esse plano que os enquadra. A carta escrita pelo mocinho retrata bem essa questão, ele deixa a montagem, mas permanece como rastro, como presença que irá ser confiscada novamente para ser levado como movimento. E movimento é multiplicidade, de gêneros e superfícies, da identidade que construída por essa força maior, ideológica que contem as fronteiras, a visão panorâmica que só pode ser refeito pelo milagre econômico e inescapável do progressismo. Ensaiamos assim para manter contato com o todo, as relações vão sendo estabelecidas por montagem, encaixe ao longo da progressão, os espaços se repetem e a cidade é sempre a mesma, agitada, e a impressão que temos do tempo é que ele não passa, seja pelo centrismo dessa organização de cena, ou seja, pelas forças que nos achatam nos tornando gananciosos, heróis da superação, da adaptação. O Estrangeirismo é, portanto, o mal a não ser combatido, mas engolido e regurgitado fazendo com que a noção de revolução se torne mais rarefeita, somente aos que tem essa capacidade contida pela quantidade da matéria bruta poderá fazê-la acontecer, a quebra de expectativas vem então da vilania, de quem já esta além, intransigindo por entre os planos, como um cavaleiro do apocalipse. É o contemporizar dado nesse movimento dos que estão mais a frente, acelerados onde o socialismo tem sua vez de acontecer, num movimento somente nacionalista e não internacionalista por mais globalizante que seja o fluxo de mercadorias-personas. Os planos aqui conversam uns com os outros, são parte de um mesmo filme, oras, mas a história, a conexão entre os filmes é necessária a leitura de mundo e não somente de narrativa, essa que pode ludibriar no bom e maul sentido. Bom, pois nos entretém, nos faz divagar como ando fazendo, e maul como percepção de onde estou, do meu ponto de assistência com o que esta sendo projetado diante de mim. No final resta ao individuo resolver esse peso que não se encontra no encarceramento das atuações, dos jogos de máscaras, mas de conseguir reavivar essa revolução confiscada pelo Outro. Esse direcionamento para o cinema é perceptível para que o akademos e sua simbologia dupla se faça presente, de toda teoria da imagem, da mimese que toma a facie do próprio diretor sendo compelido dentro do filme e por dentro de outro filme em movimento espiralado e turbulento de desigualdades naturalizadas ao longo desse Tempo, frutíferas, de faz de contas.

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